Bellini
informações sobre o jogador
- Nome: Hideraldo Luís Bellini
- Nascimento: 07/06/1930
- Posição: Zagueiro Central
- Anos no Vasco: 1952 a 1962
- Carreira: Itapirense, Sanjoanense, Vasco, São Paulo e Athlético-PR.
números pelo vasco
- Jogos: 430
- Gols: 1
- Assistências: 1
- Gols de pênalti: 0
- Gols de falta: 0
- Gols de cabeça: –
títulos pelo vasco
- Torneio Octogonal Rivadávia (1953)
- Torneio Rio-São Paulo (1958)
- Campeonato Carioca (1952, 1956 e 1958)
- Torneio de Santiago (1953 e 1957)
- Quadrangular Internacional do Rio (1953)
- Quadrangular de Lima (1957)
- Torneio Início (1958)
Feitos do jogador
- Primeiro capitão de um título mundial da Seleção Brasileira.
- Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1958 (Mundo Deportivo-ESP e outras muitas revistas).
- Eleito o Melhor Zagueiro do Mundo de 1958 (Federação Sueca).
- Eleito o melhor jogador do Torneio Rio-São Paulo de 1958 (Revista Manchete).
- Zagueiro mais valioso do Mundo em 1958 (MapaMundi Deportivo | imprensa europeia).
Stat line(s) de destaque
- Bellini vs Suécia (Final da Copa do Mundo de 1958)
- 3 desarmes
- 7 rebatidas
- 9 interceptações
- 8/9 duelos aéreos ganhos
- 11 duelos ganhos (73%)
- Nota EV: 8,5.
Carreira do ídolo
Apesar de concorrido, Bellini chegou ao Vasco sob muita desconfiança devido ao seu pouco talento com a bola nos pés. Ainda assim, não se intimidou e treinou muito para se tornar um grande “zagueiro-zagueiro”. Mesmo recém chegado, Bellini atuou como titular em alguns jogos do Rio-São Paulo e do Carioca de 1952, sendo campeão deste último. Naquele ano ele atuou muitas vezes como defensor pela lateral direita. Só passaria a ser zagueiro central fixo após a chegada de Paulinho de Almeida em 1954. Em 1953, conquistou ainda mais espaço no time e foi campeão da Copa Intercontinental Rivadávia sendo titular em 5 dos 7 jogos da campanha vascaína no torneio.
Por ser zagueiro que gostava de divididas, Bellini ficava fora de alguns jogos por lesões. Ainda assim, foi titular do Vasco durante boa parte de 1954 e 1955. Em 55, inclusive, Bellini teve uma atuação muito destacada contra o Barcelona que estava reforçado (temporariamente) por um tal de Alfredo Di Stéfano. O Mundo Deportivo da Espanha (13/06, p. 3) relatou assim a partida do craque vascaíno: “O zagueiro central Bellini anulou Di Stéfano por completo. Bellini tem tanta habilidade de posicionamento e marcação que consegue competir com a arte de um craque como Di Stéfano”. Ainda em 1955, ele passou a atuar ao lado de Orlando Peçanha, recém revelado pelo Vasco. Juntos, os dois fariam história nos anos seguintes pelo Vasco e pela Seleção. A partir de 1956, passou a brilhar ainda mais, sendo um dos pilares do Vasco no título carioca e no vice-campeonato da Pequena Taça do Mundo. Passou a ser muito pedido na Seleção.
Após o grande ano de 1956 e um ótimo início em 1957, Bellini recebeu sua primeira chance como titular da Seleção, nas eliminatórias da Copa do Mundo. Depois de apenas 5 jogos se tornou o capitão da equipe brasileira. Em junho de 1957, por estar a serviço da seleção, Bellini não viajou com o Vasco para a Europa. Ele ficou no Brasil e acabou atuando pela primeira vez ao lado do menino Pelé, mas ao contrário do que se possa pensar, não foi com a camisa do Brasil, mas sim com a do Vasco.
O ano de 1958 seria mágico para Bellini. No início da temporada, foi campeão Rio-São Paulo pelo Vasco. Ele ainda terminou como o jogador de maior nota do torneio pela Manchete Esportiva. Dois meses depois veio a maior glória. Bellini foi campeão mundial pelo Brasil como capitão. Ele fez história ao lado de Orlando, quando pela primeira vez uma dupla de zaga ficou 4 jogos seguidos sem sofrer gols em uma Copa. Ele foi eleito o melhor zagueiro do torneio.
A temporada de 1958 ainda reservava mais uma glória para Bellini. Ele liderou o Vasco ao épico super-supercampeonato (que acabou terminando em 1959), vencido em cima do Flamengo numa partida brilhante do capitão vascaíno. Pouco tempo depois do título carioca, veio uma das maiores crises políticas da história do Vasco. Em 1961, após suportar 3 anos conturbados por causa dos dirigentes vascaínos, Bellini foi negociado com o São Paulo.
O craque se tornaria bicampeão do mundo em 1962, desta vez como reserva. Voltou a ser titular na Copa de 66, quando o Brasil foi eliminado precocemente. Pelo São Paulo, ele ganhou a Pequena Taça do Mundo de 1963 contra o Real Madrid e mais alguns títulos internacionais. O zagueiro encerraria sua brilhante carreira em 1969, aos 39 anos, quando já atuava pelo Athlético Paranaense.
Bellini fez história no futebol, quebrou recordes defensivos e foi um dos maiores líderes da história do esporte. Seu estilo de jogo lutador foi memorável, mas também trouxe sérios problemas ao seu cérebro. Na verdade, a falta de suporte médico para concussões no futebol atrapalhou muito a vida de Bellini – e de muitos outros atletas – conforme foi envelhecendo. Bellini sofreu – supostamente – de Mal de Alzheimer por 18 anos antes de morrer em 2014. Mas acredita-se hoje que a real doença que ele tinha era a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), descoberta no início dos anos 2000 pelo doutor nigeriano Bennet Omalu. Essa doença se desenvolve em inúmeros atletas de esportes combativos, com choques que geram concussões. O livro “Um homem entre gigantes” de Jeanne Marie Laskas aborda a história de Omalu e sua luta por conscientização no esporte. Somente em 2021 a FIFA começou testar seu novo protocolo de concussões.
A carreira de Bellini foi brilhante, e seu final de vida deveria ter sido muito melhor. O maior zagueiro-zagueiro de todos os tempos quase não lembrava mais quem era no fim de sua vida. Mas ele jamais será esquecido por nós. Sempre será nosso eterno capitão.